Há sempre um passado

 

Há sempre um passado.

Nesse passado sorri. Envolvi-me numa vida plena, cheia de apontamentos de pura magia. Transbordei alegria. Saltei, dancei, dei-te a mão…a ti e ao mundo. Fui um com tudo o que me rodeava. Não me via afastado mas sim fazendo parte. Tudo correu bem. Tudo funcionou. Ouro puro. Maravilhoso. Irrepetível.

Nesse passado chorei. Caí num abismo querendo agarrar-me sem conseguir fazê-lo. Quis respirar e não consegui. Solucei ranhoso limpado lágrimas com as costas das mãos. Olhei e pedi ajuda. Não a tive. Não percebi. Não merecia. Tentei racionalizar o que ao coração pertencia. Sem respostas perdi-me. Estava escuro. Tive medo. Sozinho. Desamparado.

Nesse passado conquistei. Venci metas, desafios, obstáculos. Superei-me. Fiz-me homem. Caminhei sozinho. Imbatível. Desafiador. Cada passo que dei me fez mais forte. O possível tornou-se mantra. Olhar confiante de quem sabe o que quer e sabe que vai conseguir. Lancei charme à vida numa sedução ganhadora. Tive-me na mão. Triunfei. Estamina.

Nesse passado esbanjei. Dei por garantido. Tornei-me incauto. Gastei o que queria e pensava que podia. Não cuidei. Ilusionei-me. A vida deu-me e eu não devolvi, não voltei a semear. Sabia que errado fazia e ainda assim continuei. Arrogante. Insustentável. Orgulhoso. Construí pontes apenas para as fazer cair depois. Cego. Soberbo.

 

Há sempre um passado.

Um passado, bom ou mau, marca. Carregamos connosco as cicatrizes desse passado. Umas doem. Outras fazem sorrir. Mas dolorosas ou deliciosas ambas são cicatrizes. Ambas vivem num mundo que já não existe. Valem tanto como um sonho que não se concretiza.

O passado já não é mais. Está lá, muitas vezes emoldurado, mas apenas para contemplar. É obra de arte realista, impressionista, abstracta, surreal. Apenas isso. Deixou de ser assim que o seu presente a abandonou e continuou inexorável conquistando novos futuros.

O tempo é o nosso tabuleiro. É o nosso pano de fundo. É uma folha de papel em branco onde podes escrever o que quiseres. É a nossa dimensão, o nosso mundo. É dinâmico. Anda, por vezes corre. É a grande força motriz. O nosso bem mais precioso.

 

O tempo manda. E a sua principal ordem é apenas…VIVE.

Vive-me. Usa-me. Goza-me. O tempo é apenas um instante. Tempos idos. Tempos que chegam. Mas o tempo que me trata por tu é um instante. O seu convite é para vivermos agora. É um convite que caduca imediatamente para logo a seguir outro surgir. É uma cadência, uma dança que devemos aprender. O batimento que marca o ritmo das nossas vidas.

Viver no passado é viver fora de ritmo. É a dança desaprendida. É manter a cicatriz aberta mesmo quando todas as noites forma crosta. É quando me desligo de um filme por uma cena me marcou e só percebo que perdi tudo o resto porque as luzes da sala estão novamente ligadas convidando-me a sair. Disco riscado fazendo-me chorar ou rir sempre na mesma estrofe.

 

Deixa o passado no passado.

Acarinha a cicatriz que te deixou mas aceita o que a vida e tempo têm para te dar. Usa a liberdade que te foi oferecida não para a desperdiçares tentando tornar real o que já foi, mas para criar novos passados vibrantes. Guarda as recordações, as memórias bem perto de ti num álbum que podes folhear sempre que quiseres. É teu. Mas já não existe.

Em vez disso, faz as pazes com o tempo presente. Estar vivo é estar agora aqui. Crescendo, partilhando, sentindo. Enchendo o peito de ar renovado a cada momento. Sereno com aquilo que tens, fazes…és. Quando tu e o teu corpo voltam a ser o mesmo…melhores amigos.

Há sempre um passado, mas também sempre um futuro. Esse será teu e será fantástico se e quando aceitares o presente. É este o desafio!

É isto a VIDA!!

 

O teu Coach,

David Nascimento

 

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