A Mais Bela Viagem do Mundo

A Mais Bela Viagem do Mundo

 

A nossa vida dá voltas. Nunca é uma linha reta sem curvas. É uma estrada sinuosa, muitas vezes perigosa e extremamente desafiante.

Perante esta evidência, há quem insista em conduzir sempre a direito ignorando as curvas e contra-curvas que esta viagem nos reserva. Aqueles que evitam olhar para os sinais de aviso que existem para nos auxiliar e permitir conduzir de forma segura e eficaz, com a frágil esperança de que as curvas desapareçam só porque fingimos não as ver. Claro que para estes, os acidentes serão muitos e os danos potencialmente graves. Mais ainda, para estes a viagem é uma tormenta. Não conseguem simplesmente aproveitar as paisagens e as maravilhas que o caminho lhes oferece. Não retiram ensinamentos. Cometem vezes sem conta os mesmos erros. Não se tornam melhores condutores.

A culpa? É das curvas, dos engenheiros, do carro, dos passageiros, dos outros condutores, da metereologia. Nunca é deles. Nunca é da sua atitude negligente em relação à vida.

 

Esta estrada de que falo é também bela.

 

Nela existem as melhores paisagens, os melhores locais, os melhores monumentos para cada um. Quanto melhor soubermos conduzir mais à vontade nos sentimos e melhor aproveitamos. Se conseguirmos retirar todas as lições que nos são dadas por cada uma das curvas e obstáculos então seremos cada vez melhores no domínio do nosso automóvel. E esta mestria aumenta a nossa confiança e permite que retiremos o melhor de cada momento.

Ao invés disso, quem conduz com medo, nervoso e ansioso, não conseguirá gozar as diversas etapas. Tudo é um problema. Tudo é grave. Tudo é custoso.

 

A prioridade é aprender e perceber o que correu mal

 

Durante a viagem, os problemas surgirão. Um pneu que rebenta, um buraco na estrada e até colisões com outros condutores. Há quem coloque carga demais no seu carro e quem não se preocupe em mantê-lo em forma, com os níveis adequados de óleo, combustível ou pressão nos pneus.

Há tempestades, ventos sinuosos e cortantes, tremores de terra, neve na estrada. Há estradas de terra, de alcatrão, vias rápidas, pontes estreitas e outras largas. Filas de trânsito para chegar ao nosso destino. Portagens que temos de pagar se quisermos passar. Tudo uma aprendizagem. Tudo um crescimento.

São muitos os cruzamentos e escolhas que teremos de fazer. Uns caminhos são os melhores para nós, outros nem por isso. Mas a escolha é sempre nossa. Podes até escolher encostar à berma e não avançar. Mas rapidamente perceberás que a vida te passou ao lado.

Ultrapassamos uns e somos ultrapassados por outros. Às vezes temos de acelerar e noutros casos reduzir ou até parar temporariamente para decidir melhor. Se tivermos um acidente (e é provável que venhamos a ter até mais do que um), a prioridade é aprender e perceber o que correu mal.

Podemos pedir um reboque, chamar o mecânico, para que o nosso carro se restabeleça e possamos continuar a viagem mais maduros e conscientes. Aliás, a ajuda dos outros é fundamental. Não estamos sozinhos na estrada e podemos aceitar ajuda e também nós ajudar. Quanto mais o fizermos mais apoio teremos e mais longe chegaremos. O respeito, a tolerância, a confiança e a amizade e amor, são fundamentais.

 

Não há mesmo volta a dar

 

Finalmente esta estrada é também única. Porque é de sentido único. Não permite inversões de marcha. O caminho que cada um percorre não pode repetir. Só se passa por um local uma vez e a oportunidade de o vivenciar e disfrutar só nos é dada uma vez. Felizmente a estrada é rica e cheia de novas belezas e maravilhas para vivenciar. Saibamos nós aproveitar.

 

Faz-te à estrada!!

 

O teu Coach,

David Nascimento

 

 

 

Há sempre um passado

 

Há sempre um passado.

Nesse passado sorri. Envolvi-me numa vida plena, cheia de apontamentos de pura magia. Transbordei alegria. Saltei, dancei, dei-te a mão…a ti e ao mundo. Fui um com tudo o que me rodeava. Não me via afastado mas sim fazendo parte. Tudo correu bem. Tudo funcionou. Ouro puro. Maravilhoso. Irrepetível.

Nesse passado chorei. Caí num abismo querendo agarrar-me sem conseguir fazê-lo. Quis respirar e não consegui. Solucei ranhoso limpado lágrimas com as costas das mãos. Olhei e pedi ajuda. Não a tive. Não percebi. Não merecia. Tentei racionalizar o que ao coração pertencia. Sem respostas perdi-me. Estava escuro. Tive medo. Sozinho. Desamparado.

Nesse passado conquistei. Venci metas, desafios, obstáculos. Superei-me. Fiz-me homem. Caminhei sozinho. Imbatível. Desafiador. Cada passo que dei me fez mais forte. O possível tornou-se mantra. Olhar confiante de quem sabe o que quer e sabe que vai conseguir. Lancei charme à vida numa sedução ganhadora. Tive-me na mão. Triunfei. Estamina.

Nesse passado esbanjei. Dei por garantido. Tornei-me incauto. Gastei o que queria e pensava que podia. Não cuidei. Ilusionei-me. A vida deu-me e eu não devolvi, não voltei a semear. Sabia que errado fazia e ainda assim continuei. Arrogante. Insustentável. Orgulhoso. Construí pontes apenas para as fazer cair depois. Cego. Soberbo.

 

Há sempre um passado.

Um passado, bom ou mau, marca. Carregamos connosco as cicatrizes desse passado. Umas doem. Outras fazem sorrir. Mas dolorosas ou deliciosas ambas são cicatrizes. Ambas vivem num mundo que já não existe. Valem tanto como um sonho que não se concretiza.

O passado já não é mais. Está lá, muitas vezes emoldurado, mas apenas para contemplar. É obra de arte realista, impressionista, abstracta, surreal. Apenas isso. Deixou de ser assim que o seu presente a abandonou e continuou inexorável conquistando novos futuros.

O tempo é o nosso tabuleiro. É o nosso pano de fundo. É uma folha de papel em branco onde podes escrever o que quiseres. É a nossa dimensão, o nosso mundo. É dinâmico. Anda, por vezes corre. É a grande força motriz. O nosso bem mais precioso.

 

O tempo manda. E a sua principal ordem é apenas…VIVE.

Vive-me. Usa-me. Goza-me. O tempo é apenas um instante. Tempos idos. Tempos que chegam. Mas o tempo que me trata por tu é um instante. O seu convite é para vivermos agora. É um convite que caduca imediatamente para logo a seguir outro surgir. É uma cadência, uma dança que devemos aprender. O batimento que marca o ritmo das nossas vidas.

Viver no passado é viver fora de ritmo. É a dança desaprendida. É manter a cicatriz aberta mesmo quando todas as noites forma crosta. É quando me desligo de um filme por uma cena me marcou e só percebo que perdi tudo o resto porque as luzes da sala estão novamente ligadas convidando-me a sair. Disco riscado fazendo-me chorar ou rir sempre na mesma estrofe.

 

Deixa o passado no passado.

Acarinha a cicatriz que te deixou mas aceita o que a vida e tempo têm para te dar. Usa a liberdade que te foi oferecida não para a desperdiçares tentando tornar real o que já foi, mas para criar novos passados vibrantes. Guarda as recordações, as memórias bem perto de ti num álbum que podes folhear sempre que quiseres. É teu. Mas já não existe.

Em vez disso, faz as pazes com o tempo presente. Estar vivo é estar agora aqui. Crescendo, partilhando, sentindo. Enchendo o peito de ar renovado a cada momento. Sereno com aquilo que tens, fazes…és. Quando tu e o teu corpo voltam a ser o mesmo…melhores amigos.

Há sempre um passado, mas também sempre um futuro. Esse será teu e será fantástico se e quando aceitares o presente. É este o desafio!

É isto a VIDA!!

 

O teu Coach,

David Nascimento