Ama sem Sacrifício!

Olhei para o outro e senti pena.

Foram anos de investimento emocional de ambas as partes. Foram muitos os obstáculos que se meteram pelo caminho. Uns foram superados outros nem por isso. Mas foi uma caminhada percorrida pelos dois. Houve amor. Já o amei. Mas sei, reconheço e sinto…não o amo mais. No entanto, seria egoísta da minha parte afastar-me. Cabe-me o sacrifício. Essa virtude tão essencial numa relação.

Não o amo mas respeito-o e por isso mantenho-me por aqui… infeliz.

 

Sei que ela me olha.

Quase que oiço o que pensa. Amo-a tanto mas sei-me isolado neste sentimento. Quero…gostava de mantê-la comigo. Mas como manter quem não quer estar. Reconheço o seu sacrifício mas não sei se o mereço. Foram anos de luta, de cumplicidade. Não sei o que se passou. Como se apaga uma chama que já ardeu intensa?

Quero-a feliz, mas sabendo-a triste, infeliz me torno também.

 

Porque não vê ele como me sinto.

Estou a apagar-me aos poucos. Acreditava que podia ser feliz mas cada vez creio mais no contrário. Porque não me larga? Porque não me liberta? Será que não se apercebe que me faz infeliz. Já o amei, mas agora sinto mágoa, repulsa. Já nem os seus olhos consigo fixar. Sinto culpa e rancor.

“Deixa-me ir. Já não sou mais tua”.

 

Não sei porque se mantém comigo.

Não suporto quando me olha como se fosse um desgraçado. Sei que tem pena de mim. “Porque não te afastas. Amo-te mas dói-me ver-te presa”. Não mereço que tenha perdido o seu amor por mim. Sempre aqui estive para ela, para o bem e para o mal. Agora sei que está comigo por obrigação. Por que tem de estar e não porque quer estar.

Não suporto a sua comiseração.

O amor e o sacrifício.

Presencio diariamente uma forma estranha de estar nas relações. Uma forma de estar que assenta numa crença profundamente enraizada , mas que nos amordaça e torna infelizes. A crença de que quanto maior o sacrifício, maior o amor. Nada mais contraditório. Quem ama não se sacrifica. Quem ama age por amor e não por caridade.

Estar ao lado de quem amamos quando essa pessoa mais necessita não é sacrifício, é amor. Ajudar quem amamos é ajudar-nos a nós mesmos. Porque o propósito de uma relação é alargar o nosso interesse pessoal de forma a incluir o do nosso parceiro. É quando a minha felicidade está ligada à felicidade da outra pessoa. Sem sacrifícios.

 

É amor ou é sacrifício? Como saber?

A melhor forma de percebermos se o que fazemos é sacrifício ou amor, é observarmos os nossos índices de felicidade. É como uma balança. Deve estar equilibrada. E isso só acontece quando ambos dão e recebem em iguais partes. Sendo claro que o que um dá pode ser diferente em forma mas nunca em significado e prazer. Ou seja, enquanto um dá carinho e afeto, o outro pode dar comunicação e compreensão. Mas ambos devem sentir que a troca é justa e equitativa.

Numa relação ninguém gosta de sentir que está a “receber de menos” ou a “receber de mais”. Quando um dos membros se sacrifica em prol do outro, perde significado e prazer e, como tal, sente-se infeliz. E por se sentir infeliz, vai minar todo o sacrifício que fez porque o seu companheiro também o acompanhará nesse estado.

 

Evidentemente que haverá obstáculos, conflitos e desentendimentos. Mas estes momentos devem ser vistos como parte do processo de equilíbrio de uma balança de felicidade mútua. E esses processos podem por vezes ser muito desafiantes. Mas fazem parte e sem eles a balança estará cheia de nada.

Procurar a felicidade de ambos, aumenta a riqueza em cada prato da balança. Isso consegue-se através dos desafios, da comunicação, da entreajuda, do amor.

 

O princípio final é simples e muito esclarecedor.

Só faz sentido uma relação se ambos forem mais felizes por estarem juntos. Sem sacrifícios. 

 

Amem muito!!!!

David Nascimento

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