De fora da gaiola!

Imagine uma gaiola apertada. O espaço escasso é ocupado quase na íntegra por meia dúzia de objetos fundamentais para a sobrevivência do seu ocupante. A vida nessa gaiola é rotineira. As atividades e a ocupação de tempo é sempre a mesma e nem podia ser de outra forma pois o curto espaço disponível e a limitação imposta pelo dono da gaiola é inexorável.

A criatividade é considerada desnecessária e a imaginação reprimida porque se alimenta a crença de que não têm aplicação prática. De dentro da gaiola é possível observar todo um mundo, com as suas possibilidades e opções infinitas onde a felicidade está realmente ao alcance daqueles que têm a sorte de nele viver.

 

A ilusão de conforto de quem vive na gaiola

Por breves instantes o ocupante imagina-se com toda essa liberdade e deseja que a porta da gaiola se abra, mas quase imediatamente é invadido por um fluxo negativo de medo que afoga todo e qualquer sonho de independência que possa ter. Medo do desconhecido, medo do que não controla, medo das opções, medo do desafio, medo de ter medo.

E é compreensível. Afinal o ocupante não conhece outra vida. Desde sempre que habita a gaiola e apesar de infeliz tem a sua segurança garantida. Além disso mesmo que quisesse sair a porta da gaiola não o permitiria.

Quem olha de fora sabe que abrir a porta da gaiola é simples e sente compaixão por aquele que a não abre e nem sequer tenta. Quem conhece as possibilidades de viver fora não percebe como é que o ocupante da gaiola escolhe a infelicidade da sua vida atual em detrimento da incerteza da vida no exterior.

Os que já abriram as portas das suas gaiolas e arriscaram viver em liberdade sabem que apesar das dificuldades que enfrentaram, o regresso ao cativeiro não é um opção que considerem.

É no cenário de clausura que a maior parte de nós vive. Apesar disso passamos a vida a olhar para os outros e muitas vezes invejamos a sua vida. Passamos o tempo a culpabilizar tudo e todos pela nossa existência. Arranjamos várias portas para a nossa gaiola e convencemo-nos que não é possível abri-las. Vivemos com medo e não arriscamos.

Provavelmente já alguém está a pensar que é mais fácil falar do que fazer. E tem razão. Mas falar, pensar, sonhar está ao nosso alcance e é o primeiro passo para avançarmos. A quebra das barras da nossa gaiola não tem de ser obrigatoriamente para atingir um objetivo grandioso e realmente difícil de alcançar. Esse sonho pode ser atingido mas se arrisca pouco comece devagar e com calma.

 

Arrisca. Desafia-te. Sai da Gaiola!

Nas sessões de Coaching trabalhamos muito o alargamento da zona de conforto. A auto-responsabilização é um passo importante para a resolução da maior parte dos conflitos que encontramos. Assumir os comandos da nossa vida é fundamental. Sugiro que experimente fazer algo esta semana que nunca teve coragem de fazer como sorrir a todas as pessoas com quem se cruzar na rua, ou convidar a tal pessoa para jantar, fazer a caminhada eternamente adiada, telefonar aquele parente com quem deixou de falar e até dizer ao seu companheiro/a o que sente por ele.

Se você pensa que a aventura é perigosa, eu sugiro que você experimente a rotina… É mortal.
Paulo Coelho

Enfim, tenho a certeza que sabe do que estou a falar. Pratique o hábito de se desafiar com mais frequência. Quando o fizer verá que a sua gaiola estará maior. Terá mais espaço. Sentir-se-á e respirará melhor. No fundo terá mais liberdade.

Muitas vezes a felicidade está na superação destes pequenos desafios. Quem não arrisca estagna e perde a alegria de viver.

Não deixe que tal lhe aconteça e, conselho de amigo, perante a infelicidade e a incerteza escolha sempre a incerteza.

Abra as portas da sua gaiola e seja feliz.

 

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