O Hambúrguer da Felicidade

Com muita pena minha não posso reclamar a autoria do título desta coluna. O feito deve ser atribuído a Tal Ben-Shahar, professor do mais concorrido curso de Psicologia Positiva da Universidade de Harvard. Os seus cursos registam 1400 alunos por ano o que representa 20% dos alunos daquela universidade.

O que é o Hambúrguer da Felicidade? No seu livro “Aprenda a ser Feliz”, Ben-Shahar refere a existência de quatro tipos de comportamento tomados na procura da felicidade e que são metaforicamente comparados a quatro tipos de hambúrgueres diferentes. É o chamado “Modelo do Hambúrguer”.

Os Hambúrgueres que não vais querer comer

O primeiro hambúrguer é um saboroso hambúrguer de plástico. O seu tremendo sabor, que oferece um prazer e satisfação imediata, é no entanto proporcional aos malefícios que contém e que representam um prejuízo futuro. É o arquétipo hedonista, onde a procura do prazer rápido ignora as consequências potencialmente negativas das suas acções.

Vivem assim aqueles que procuram satisfazer os seus desejos de uma forma imediata sem objectivos a longo prazo, pois ao associarem dor ao esforço evitam-no, num percurso que acabará invariavelmente na frustração.

Um insípido e sensaborão hambúrguer vegetariano representa o segundo hambúrguer do modelo. Neste caso o sacrifico imediato resulta num prejuízo presente em prol de um benefício futuro. O autor designa este hambúrguer de arquétipo do competição desenfreada que é o mais praticado na nossa sociedade, onde o estímulo é a meta e não o caminho para lá chegar. Na maioria das vezes a meta é virtual e uma vez lá chegados surge imediatamente uma nova que nos obriga a um novo sacrifício.

Começamos com as notas na escola, para depois passar para a média de acesso ao ensino superior, imediatamente substituído por uma classificação final de curso que pode dar acesso a um bom emprego onde é necessário ser o profissional mais dedicado para subir na carreira, e por aí fora num trajecto infinito e geralmente infeliz.

O pior hambúrguer do mundo é o terceiro hambúrguer e é, em partes iguais, de plástico e de sabor desagradável representando um prejuízo actual a que se segue um prejuízo futuro. É o chamado arquétipo niilista onde nos deparamos com a morte do sentido da felicidade. As pessoas que pertencem a este grupo desistiram da felicidade mostrando-se não merecedoras da mesma. Vivem agarrados ao passado não conseguindo ultrapassar questões que influenciam directamente o presente e o futuro.

“O Agora não é escolhido por ti. Ele está sempre lá. Infinitamente lá. O que realmente podes, é escolher vivê-lo.”
David Nascimento

O melhor Hambúrger do Mundo!!

Finalmente temos o hambúrguer da felicidade. Sendo simultaneamente saboroso e vegetariano oferece um benefício presente e futuro. É o arquétipo da felicidade onde se vivencia o presente de uma forma constante, consciente e grata, com vista a uma meta igualmente recompensadora.

Imaginemos um desportista que aprecia o treino diário e que a ele se dedica com prazer e afinco sabendo que no futuro irá bater os seus recordes ou ganhar determinada competição. Ou um estudante que tira uma satisfação genuína em descobrir novas ideias no presente e por isso se aplica conseguindo no futuro atingir as metas definidas.

Coaching é sobre o hambúrguer da felicidade. Um coach procura desenvolver, desafiar e apoiar os seus clientes para que possam atingir o seu potencial pessoal e profissional. Um Coach não aconselha mas promove a auto-descoberta e uma transformação na forma de pensar e agir dos seus clientes.

Coaching é sobre positivismo e confiança e devia fazer parte das nossas vidas, nas escolas, empresas e famílias.

E agora? Que hambúrguer vais decidir comer?