A Mais Bela Viagem do Mundo

A Mais Bela Viagem do Mundo

 

A nossa vida dá voltas. Nunca é uma linha reta sem curvas. É uma estrada sinuosa, muitas vezes perigosa e extremamente desafiante.

Perante esta evidência, há quem insista em conduzir sempre a direito ignorando as curvas e contra-curvas que esta viagem nos reserva. Aqueles que evitam olhar para os sinais de aviso que existem para nos auxiliar e permitir conduzir de forma segura e eficaz, com a frágil esperança de que as curvas desapareçam só porque fingimos não as ver. Claro que para estes, os acidentes serão muitos e os danos potencialmente graves. Mais ainda, para estes a viagem é uma tormenta. Não conseguem simplesmente aproveitar as paisagens e as maravilhas que o caminho lhes oferece. Não retiram ensinamentos. Cometem vezes sem conta os mesmos erros. Não se tornam melhores condutores.

A culpa? É das curvas, dos engenheiros, do carro, dos passageiros, dos outros condutores, da metereologia. Nunca é deles. Nunca é da sua atitude negligente em relação à vida.

 

Esta estrada de que falo é também bela.

 

Nela existem as melhores paisagens, os melhores locais, os melhores monumentos para cada um. Quanto melhor soubermos conduzir mais à vontade nos sentimos e melhor aproveitamos. Se conseguirmos retirar todas as lições que nos são dadas por cada uma das curvas e obstáculos então seremos cada vez melhores no domínio do nosso automóvel. E esta mestria aumenta a nossa confiança e permite que retiremos o melhor de cada momento.

Ao invés disso, quem conduz com medo, nervoso e ansioso, não conseguirá gozar as diversas etapas. Tudo é um problema. Tudo é grave. Tudo é custoso.

 

A prioridade é aprender e perceber o que correu mal

 

Durante a viagem, os problemas surgirão. Um pneu que rebenta, um buraco na estrada e até colisões com outros condutores. Há quem coloque carga demais no seu carro e quem não se preocupe em mantê-lo em forma, com os níveis adequados de óleo, combustível ou pressão nos pneus.

Há tempestades, ventos sinuosos e cortantes, tremores de terra, neve na estrada. Há estradas de terra, de alcatrão, vias rápidas, pontes estreitas e outras largas. Filas de trânsito para chegar ao nosso destino. Portagens que temos de pagar se quisermos passar. Tudo uma aprendizagem. Tudo um crescimento.

São muitos os cruzamentos e escolhas que teremos de fazer. Uns caminhos são os melhores para nós, outros nem por isso. Mas a escolha é sempre nossa. Podes até escolher encostar à berma e não avançar. Mas rapidamente perceberás que a vida te passou ao lado.

Ultrapassamos uns e somos ultrapassados por outros. Às vezes temos de acelerar e noutros casos reduzir ou até parar temporariamente para decidir melhor. Se tivermos um acidente (e é provável que venhamos a ter até mais do que um), a prioridade é aprender e perceber o que correu mal.

Podemos pedir um reboque, chamar o mecânico, para que o nosso carro se restabeleça e possamos continuar a viagem mais maduros e conscientes. Aliás, a ajuda dos outros é fundamental. Não estamos sozinhos na estrada e podemos aceitar ajuda e também nós ajudar. Quanto mais o fizermos mais apoio teremos e mais longe chegaremos. O respeito, a tolerância, a confiança e a amizade e amor, são fundamentais.

 

Não há mesmo volta a dar

 

Finalmente esta estrada é também única. Porque é de sentido único. Não permite inversões de marcha. O caminho que cada um percorre não pode repetir. Só se passa por um local uma vez e a oportunidade de o vivenciar e disfrutar só nos é dada uma vez. Felizmente a estrada é rica e cheia de novas belezas e maravilhas para vivenciar. Saibamos nós aproveitar.

 

Faz-te à estrada!!

 

O teu Coach,

David Nascimento

 

 

 

Há sempre um passado

 

Há sempre um passado.

Nesse passado sorri. Envolvi-me numa vida plena, cheia de apontamentos de pura magia. Transbordei alegria. Saltei, dancei, dei-te a mão…a ti e ao mundo. Fui um com tudo o que me rodeava. Não me via afastado mas sim fazendo parte. Tudo correu bem. Tudo funcionou. Ouro puro. Maravilhoso. Irrepetível.

Nesse passado chorei. Caí num abismo querendo agarrar-me sem conseguir fazê-lo. Quis respirar e não consegui. Solucei ranhoso limpado lágrimas com as costas das mãos. Olhei e pedi ajuda. Não a tive. Não percebi. Não merecia. Tentei racionalizar o que ao coração pertencia. Sem respostas perdi-me. Estava escuro. Tive medo. Sozinho. Desamparado.

Nesse passado conquistei. Venci metas, desafios, obstáculos. Superei-me. Fiz-me homem. Caminhei sozinho. Imbatível. Desafiador. Cada passo que dei me fez mais forte. O possível tornou-se mantra. Olhar confiante de quem sabe o que quer e sabe que vai conseguir. Lancei charme à vida numa sedução ganhadora. Tive-me na mão. Triunfei. Estamina.

Nesse passado esbanjei. Dei por garantido. Tornei-me incauto. Gastei o que queria e pensava que podia. Não cuidei. Ilusionei-me. A vida deu-me e eu não devolvi, não voltei a semear. Sabia que errado fazia e ainda assim continuei. Arrogante. Insustentável. Orgulhoso. Construí pontes apenas para as fazer cair depois. Cego. Soberbo.

 

Há sempre um passado.

Um passado, bom ou mau, marca. Carregamos connosco as cicatrizes desse passado. Umas doem. Outras fazem sorrir. Mas dolorosas ou deliciosas ambas são cicatrizes. Ambas vivem num mundo que já não existe. Valem tanto como um sonho que não se concretiza.

O passado já não é mais. Está lá, muitas vezes emoldurado, mas apenas para contemplar. É obra de arte realista, impressionista, abstracta, surreal. Apenas isso. Deixou de ser assim que o seu presente a abandonou e continuou inexorável conquistando novos futuros.

O tempo é o nosso tabuleiro. É o nosso pano de fundo. É uma folha de papel em branco onde podes escrever o que quiseres. É a nossa dimensão, o nosso mundo. É dinâmico. Anda, por vezes corre. É a grande força motriz. O nosso bem mais precioso.

 

O tempo manda. E a sua principal ordem é apenas…VIVE.

Vive-me. Usa-me. Goza-me. O tempo é apenas um instante. Tempos idos. Tempos que chegam. Mas o tempo que me trata por tu é um instante. O seu convite é para vivermos agora. É um convite que caduca imediatamente para logo a seguir outro surgir. É uma cadência, uma dança que devemos aprender. O batimento que marca o ritmo das nossas vidas.

Viver no passado é viver fora de ritmo. É a dança desaprendida. É manter a cicatriz aberta mesmo quando todas as noites forma crosta. É quando me desligo de um filme por uma cena me marcou e só percebo que perdi tudo o resto porque as luzes da sala estão novamente ligadas convidando-me a sair. Disco riscado fazendo-me chorar ou rir sempre na mesma estrofe.

 

Deixa o passado no passado.

Acarinha a cicatriz que te deixou mas aceita o que a vida e tempo têm para te dar. Usa a liberdade que te foi oferecida não para a desperdiçares tentando tornar real o que já foi, mas para criar novos passados vibrantes. Guarda as recordações, as memórias bem perto de ti num álbum que podes folhear sempre que quiseres. É teu. Mas já não existe.

Em vez disso, faz as pazes com o tempo presente. Estar vivo é estar agora aqui. Crescendo, partilhando, sentindo. Enchendo o peito de ar renovado a cada momento. Sereno com aquilo que tens, fazes…és. Quando tu e o teu corpo voltam a ser o mesmo…melhores amigos.

Há sempre um passado, mas também sempre um futuro. Esse será teu e será fantástico se e quando aceitares o presente. É este o desafio!

É isto a VIDA!!

 

O teu Coach,

David Nascimento

 

O que é o Coaching?

Entre o desconfiado e o curioso, amigos meus, colegas, alunos, família ou, simplesmente, desconhecidos que me abordam, fazem com frequência, esta pergunta. A maior parte diz que o termo não lhes é estranho. É comum usarem termos como terapia, tratamento, consultas e formação, aulas, workshop. Nenhum dos termos acerta na muche, apesar do Coaching poder recorrer a outras disciplinas para ganhar, em casos específicos, mais força.

A verdade é que existem várias formas de Coaching. O Business, e o Executive vocacionado para empresas, executivos e colaboradores, e o Life que se dedica a pessoas individuais e a questões do foro pessoal e o principal visado nas perguntas que se seguem.

 

O que é o Coaching?

Mais do que uma técnica, um processo ou uma metodologia, Coaching é uma interação ou uma conversa entre duas pessoas. Uma delas ouve e a outra fala. O ouvinte é o Coach e a pessoa que fala é o cliente, também designado Coachee. O objetivo desta conversa é ajudar o cliente a estruturar a sua forma de pensar relativamente a um assunto específico que necessite de um foco mais intenso, como por exemplo um desafio, problema, dilema ou objetivo que pretenda alcançar no futuro.

O Coach ajuda quem o procura, a desenvolver o seu potencial profissional e/ou pessoal procurando maximiza-lo, permitindo que desta forma se atinjam resultados que anteriormente se pensava impossíveis de alcançar.

 

De que forma são conduzidas as sessões de Coaching?

No Coaching parte-se do princípio de que o cliente já tem as respostas todas que necessita para se desenvolver. Assim, o Coach baseia a sua atuação através da intuição e colocação de perguntas. Um Coach procura colocar a pergunta certa no momento certo, promovendo no cliente tomadas de consciência que permitam o seu crescimento pessoal.

Também há espaço para criatividade no Coaching, devendo o Coach procurar realizar sessões dinâmicas, positivas e adequadas ao que o seu cliente possa necessitar.

 

Quem deve procurar Coaching?

Todos nós já nos deparámos diversas vezes nas nossas vidas com encruzilhadas, desafios e objetivos que simplesmente achamos impossíveis de alcançar. Nesses momentos da vida o acompanhamento de um Coach pode fazer a diferença.

Podem ser abordados assuntos diversos como questões profissionais (como posso atingir melhores resultados na minha profissão?), financeiras (como aumentar a minha conta bancária nos próximos meses?), saúde (como ser uma pessoa saudável e ter o meu peso ideal?), relações amorosas (como encontrar a pessoa que procura há tanto tempo?), família (como voltar a ter uma boa relação com o meu pai/filho?), liderança pessoal (como ser uma pessoa mais auto-confiante e menos anisosa?) entres outros.

 

Quais as vantagens do Coaching?

Rapidez, facilidade, sustentabilidade e autonomia.

Rapidez porque o Coaching usa metodologias que focam o cliente no objetivo que pretende atingir eliminando obstáculos e distrações.

Facilidade porque o processo é simples e adaptado a cada ciente. Não pretendo criar ilusões e promover o facilitismo. É o cliente que controla a seu grau de empenhamento no processo. Se o cliente quiser o cliente consegue.

Sustentabilidade porque é o cliente que responde às questões de acordo a sua realidade e valores.

Autonomia porque depois das sessões de Coaching o cliente está pronto para continuar o seu caminho sozinho.

 

Acima de tudo é importante continuar a sonhar e viver a vida com paixão, procurando ser feliz e grato no percurso.

 

 

 

 

O Veneno das Emoções Negativas

Imagina que estás com sede e alguém que conheces bem e em quem confias, te oferece um copo com uma bebida desconhecida. Aceitarias ou não? Aproveitarias a oportunidade? Provavelmente sim, até porque essa pessoa merece a tua confiança. Agora supõe que descobres que essa bebida não é mais que um veneno que provoca tristeza, angústia, preocupação ou medo. Aceitarias na mesma? Talvez estejas a pensar que esta pergunta não faz sentido, porque ninguém no seu perfeito juízo a iria aceitar.

Há, na verdade, um conjunto de sensações negativas que nos são transmitidas por outras pessoas todos os dias. Ainda que o saibamos continuamos a permitir que isso aconteça. Muitas vezes temos dificuldade em identificar quais as pessoas que nos oferecem copos com veneno e como tal continuamos a bebê-lo sem o saber.

 

Coloca a ti mesmo estas questões:

Quem são as pessoas que te rodeiam?

Contribuem para a tua felicidade?

Permites que influenciem a tua vida, as tuas decisões?

Que pessoas é que não sentirias falta se desaparecessem da tua vida neste momento?

 

Saber escolher o lugar de cada pessoa nas nossas vidas é fundamental. Nem todas as pessoas têm para nós a mesma importância nem o mesmo valor. E nem sempre as pessoas a quem damos importância têm valor. E pessoas de imenso valor são por nós colocadas de parte porque nos desafiam ou nos obrigam a pensar ou a agir.

Reserva algum tempo a identificar as pessoas que se cruzam contigo. Pensa na tua vida pessoal e profissional, nos grupos que frequentas, nas tuas rotinas. Reflete quem são aqueles cuja opinião mexe com a tua auto-estima. Pode ser alguém mais óbvio, como um colega ou um conhecido, mas também poderá ser a pessoa que te serve o café toda as manhãs na pastelaria do costume. Começa a definir os limites de influência que essas pessoas têm na tua vida.

Não te esqueças que foste TU quem permitiu que essas pessoas tivessem a influência que têm. Logo também TU podes decidir RETIRAR ou REFORÇAR essa importância.

 

Quem devo manter por perto?

Cria a tua guarda de honra. Para os identificares, aproxima-te daqueles que sorriem de forma natural, que te cumprimentam de forma sincera, que partilham de interesses comuns, que tenham histórias de vida curiosas, que não falem mal de outros, que vivam de forma apaixonada, que tenham objetivos estimulantes, que sejam positivos e optimistas, que sejam sinceros. No fundo pessoas que gostem de viver e que irradiem essa energia.

Faz-te rodear de muito perto das pessoas que ajudam e que te fazem sentir bem, que te desafiam, que puxam pelo teu potencial. Pessoas que te dizem o que precisas de ouvir. Pessoas que fazem as perguntas que ninguém faz. Pessoas que amas e que te amam incondicionalmente. Estas são as pessoas chave da tua vida. Os teus pilares. São aqueles que não cultivam uma dependência doentia, mas sim estimulam a tua liberdade.

Num segundo patamar coloca outras pessoas com quem podes conviver mas que não te influenciam. São pessoas que conheces, com quem trabalhas. Podem ser pessoas de quem gostas mas que têm um papel secundário na tua vida. Cerca de 90% das pessoas que conheces estarão neste lugar.

Finalmente identifica todos aqueles que te oferecem o tal veneno das emoções negativas. São pessoas que não te fazem falta e que deves simplesmente eliminar da tua vida. Não te afetam e mesmo que tenhas de lidar com elas, a sua opinião é irrelevante.

Por fim, aceita o lugar que os outros reservam para ti. Eu, por exemplo, sei bem que faço parte da guarda de honra de algumas pessoas, e que sou completamente ignorado por outros. É assim que é e que deve continuar a ser.

Mas há um esforço que faço diariamente… o de não beber nem oferecer veneno a ninguém.

 

O teu Coach,

David Nascimento

 

 

Ama sem Sacrifício!

Olhei para o outro e senti pena.

Foram anos de investimento emocional de ambas as partes. Foram muitos os obstáculos que se meteram pelo caminho. Uns foram superados outros nem por isso. Mas foi uma caminhada percorrida pelos dois. Houve amor. Já o amei. Mas sei, reconheço e sinto…não o amo mais. No entanto, seria egoísta da minha parte afastar-me. Cabe-me o sacrifício. Essa virtude tão essencial numa relação.

Não o amo mas respeito-o e por isso mantenho-me por aqui… infeliz.

 

Sei que ela me olha.

Quase que oiço o que pensa. Amo-a tanto mas sei-me isolado neste sentimento. Quero…gostava de mantê-la comigo. Mas como manter quem não quer estar. Reconheço o seu sacrifício mas não sei se o mereço. Foram anos de luta, de cumplicidade. Não sei o que se passou. Como se apaga uma chama que já ardeu intensa?

Quero-a feliz, mas sabendo-a triste, infeliz me torno também.

 

Porque não vê ele como me sinto.

Estou a apagar-me aos poucos. Acreditava que podia ser feliz mas cada vez creio mais no contrário. Porque não me larga? Porque não me liberta? Será que não se apercebe que me faz infeliz. Já o amei, mas agora sinto mágoa, repulsa. Já nem os seus olhos consigo fixar. Sinto culpa e rancor.

“Deixa-me ir. Já não sou mais tua”.

 

Não sei porque se mantém comigo.

Não suporto quando me olha como se fosse um desgraçado. Sei que tem pena de mim. “Porque não te afastas. Amo-te mas dói-me ver-te presa”. Não mereço que tenha perdido o seu amor por mim. Sempre aqui estive para ela, para o bem e para o mal. Agora sei que está comigo por obrigação. Por que tem de estar e não porque quer estar.

Não suporto a sua comiseração.

O amor e o sacrifício.

Presencio diariamente uma forma estranha de estar nas relações. Uma forma de estar que assenta numa crença profundamente enraizada , mas que nos amordaça e torna infelizes. A crença de que quanto maior o sacrifício, maior o amor. Nada mais contraditório. Quem ama não se sacrifica. Quem ama age por amor e não por caridade.

Estar ao lado de quem amamos quando essa pessoa mais necessita não é sacrifício, é amor. Ajudar quem amamos é ajudar-nos a nós mesmos. Porque o propósito de uma relação é alargar o nosso interesse pessoal de forma a incluir o do nosso parceiro. É quando a minha felicidade está ligada à felicidade da outra pessoa. Sem sacrifícios.

 

É amor ou é sacrifício? Como saber?

A melhor forma de percebermos se o que fazemos é sacrifício ou amor, é observarmos os nossos índices de felicidade. É como uma balança. Deve estar equilibrada. E isso só acontece quando ambos dão e recebem em iguais partes. Sendo claro que o que um dá pode ser diferente em forma mas nunca em significado e prazer. Ou seja, enquanto um dá carinho e afeto, o outro pode dar comunicação e compreensão. Mas ambos devem sentir que a troca é justa e equitativa.

Numa relação ninguém gosta de sentir que está a “receber de menos” ou a “receber de mais”. Quando um dos membros se sacrifica em prol do outro, perde significado e prazer e, como tal, sente-se infeliz. E por se sentir infeliz, vai minar todo o sacrifício que fez porque o seu companheiro também o acompanhará nesse estado.

 

Evidentemente que haverá obstáculos, conflitos e desentendimentos. Mas estes momentos devem ser vistos como parte do processo de equilíbrio de uma balança de felicidade mútua. E esses processos podem por vezes ser muito desafiantes. Mas fazem parte e sem eles a balança estará cheia de nada.

Procurar a felicidade de ambos, aumenta a riqueza em cada prato da balança. Isso consegue-se através dos desafios, da comunicação, da entreajuda, do amor.

 

O princípio final é simples e muito esclarecedor.

Só faz sentido uma relação se ambos forem mais felizes por estarem juntos. Sem sacrifícios. 

 

Amem muito!!!!

David Nascimento

Armadilhas da MENTE!!

Também és daqueles que pensa demais?

Que racionaliza tudo?

Que procura sempre uma resposta para aquilo que está a sentir?

Que olha para quem está à sua volta, um companheiro, um amigo, um colega, e sente que precisa de os compreender, de saber porque reagiram de determinada forma?

Que dá por si a ter os mesmos pensamentos vezes sem conta, durante dias, semanas ou até anos?

 

Eu compreendo! Acredita que compreendo.

Também fazia parte desse grupo.

Por isso compreendo-te. Sei o que estás a sentir…e não é bom. Não é mesmo.

 

Este fenómeno chama-se ruminância e caracteriza-se por um excesso de racionalização em relação a alguns ou até mesmo todos os aspetos da tua vida. A repetição incalculável dos mesmos pensamentos…vezes sem conta…até à exaustão. Muitas vezes sem obter uma resposta concreta. Outras, piores ainda, quando já se tem uma resposta, não gostamos dela, e voltamos a racionalizar tudo na vã esperança de que a resposta seja diferente.

 

Acredita em mim…é uma ARMADILHA! Evita-a a todo o custo.

 

Uma coisa é pensarmos sobre a nossa vida, incluindo o nosso companheiro, os nossos filhos, o nosso trabalho, os nossos hobbies. Isto faz parte. Pensarmos, planearmos, cuidarmos. Tudo bem…nada de mal. É para isso que a mente serve. Para nos ajudar a resolver problemas. Para nos ajudar a ter ideias. Para nos ajudar a agir, a resolver, a concretizar. Tudo bem mesmo!

 

Outra coisa é ruminar. Ignorarmos essa força inacreditável do “sentir”, e cairmos na tentação de racionalizar. Cuidado!

 

Como evitar a Ruminância?

Muito se escreve sobre as técnicas que te permitem evitar pensar dessa forma tão castradora.

Como já te disse, eu já fui um ruminador enorme. Tentei várias formas de parar com o domínio da mente. A maior parte não funcionou comigo. Outras sim. São essas que te apresento agora. Espero que te ajudem como me ajudaram a mim.

 

  1. Coloca a mente no seu lugar.

Sempre que sentires que a mente está a começar a dominar, manda-a calar. É mesmo este o termo. Manda-a calar. Da mesma maneira que desligas a televisão quando achas que já passaste horas a mais a ver novelas, notícias, documentários sobre a fantástica vida do escaravelho amarelo do saara oriental ou os medíocres programas da tarde. Dá o grito do Ipiranga. Quem é que manda aqui afinal? Tu ou a tua mente?

Agarra-te a esta ideia. A mente existe para te servir. Repete esta ideia as vezes que forem precisas. “A mente existe para me servir”. A mente vai acabar por perceber e colocar-se no seu lugar.

 

  1. Mantém-te ocupado.

Muitas pessoas acham que mantermo-nos ocupados é fugir dos problemas. Entendem que quando há um problema devemos enfrentá-lo para o resolvermos o mais rápido possível.

Concordo, mas nem todos os problemas são iguais. Há alguns que envolvem outras pessoas. Outros requerem tempo e amadurecimento. E ainda há aqueles que apenas podem ser enfrentados quando determinadas condições estão reunidas.

A ruminância ganha força quando a mente não está ocupada.

Quando a situação requer tempo, mantermo-nos ocupados funciona…e bem! Por isso, ocupa-te.

Arranja alguma coisa para fazer. Não dês espaço para a ruminância. Não estás a fugir de coisa nenhuma. Já pensaste sobre o assunto. Agora ocupa-te com outra coisa qualquer.

Desliga a mente e faz algo que te abstraia. Faz desporto, limpa a casa, experimenta cozinhar uma receita nova, vai conduzir, brinca com os teus filhos, faz palavras cruzadas, pega na tua guitarra, dá um mergulho na praia. Desafia-te a fazer algo de novo.

 

“Acabar com a racionalização, racionalizando é completamente irracional. “

David Nascimento

 

  1. Relaxa.

Aprende a relaxar. A serenar. A viver os momentos.

Estamos aqui para ter uma boa experiência. A vida não existe para nos maltratar, mesmo que às vezes pareça. Todos temos direito aos nossos momentos, à nossa paz, à nossa serenidade. Mas tudo isto tem de partir de ti.

Aprende como podes encontrar esse estado mais tranquilo e relaxado. Medita, escreve, ouve música. Tira algum tempo para ti. Não precisas de muito. 10 minutos por dia já vão fazer diferença.

Descobre como tirar o máximo das experiências que estás a ter.

Por exemplo, ontem fui ver um concerto e a meio de uma música a mente começou a racionalizar sobre um assunto sem qualquer importância. De repente as pessoas à minha volta começaram a bater palmas e percebi que me tinha distraído, perdendo uma parte da música que estava a ser tocada. Usei a mente para me focar na música seguinte. Escutei os diferentes instrumentos, prestei atenção à letra, às luzes, ao ambiente. Fi-lo de uma forma consciente mas aos poucos, de uma forma natural entrei num estado de fluxo que me permitiu viver intensamente o resto do espectáculo…acredita, foi mágico.

 

  1. Faz o que quiseres fazer.

Não percas muito tempo a pensar no que os outros gostariam que tu fizesses. Faz o que te apetece fazer.

Sim, eu sei que tens responsabilidades. Não fujas delas, mas aprende a colocar limites a ti e aos outros. Uma coisa é seres uma boa mãe ou pai, uma boa mulher ou marido, uma boa ou bom colega. Outra coisa é anulares-te. É cederes sempre ao que os outros querem.

Isto é um passo perigoso para a ruminância. Passares a vida a pensar: “será que ele vai gostar”, “o que será que ele está a pensar”, “se calhar não estou a comunicar bem”, “será que fiz alguma coisa mal”, “gostava de ir à praia, mas ele prefere ficar por casa”. A ruminância adora estes pensamentos que levam a outros e mais outros e mais ainda, até à exaustão.

Faz mesmo mais daquilo que queres. Respeita-te.

 

Acredita em mim. Bastam este quatro pontos. Podes complementar com outras estratégias de outros autores, mas para mim bastam mesmo estes quatro.

 

Experimenta e depois partilha comigo os teus resultados.

Se sentires dificuldades fala comigo. Juntos chegaremos a um estratégia que funcione contigo.

 

Bons desafios e muita paz!

 

O teu coach,

David Nascimento

A capa do super herói

Imagine que está a caminhar num beco escuro e que de repente dá um pontapé numa garrafa vazia. Para sua surpresa de dentro da garrafa sai um génio que olha para si e exclama: “Você é um ser humano fantástico e por causa disso vou transformá-lo num super herói. No entanto, vou ter de lhe pedir que escolha qual a cor da capa que prefere entre as duas cores disponíveis.

A primeira é uma capa vermelha. Ao escolher esta capa terá o superpoder de terminar com todo o mal do planeta como por exemplo a fome, a injustiça, o ódio. A segunda capa é verde e se for esta a sua opção terá capacidade de fazer crescer tudo o que de bom existe no planeta como o amor, a compreensão ou a justiça. Um aspeto importante é que não poderá escolher ambas.”

Foi com este dilema que o professor James O. Pawelski da universidade da Pensilvânia numa aula aberta a que tive o privilégio de assistir, inaugurou no passado dia 17 o primeiro Executive Master em Psicologia Positiva Aplicada realizado em Portugal ministrado no ISCSP em Lisboa.

Escolher uma capa marca a diferença

A escolha da capa depende muito da pessoa a quem essa oportunidade é oferecida. Podemos ser tentados a pensar que esta questão não é uma realidade nas nossa vidas mas, na sua devida escala, todos nós somos chamados a escolher uma capa todos os dias. Seja a um nível mais abrangente ou a um nível mais próximo e até intrínseco.

Como coach encontro pessoas que pretendem ser, fazer ou ter algo nas suas vidas e procuram as sessões para os ajudar a focar nessas metas. Porém na maioria das vezes a forma como pretendem atingir esse objetivo tem mais a ver com aquilo que não querem ser, fazer ou ter do que com o contrário.

Ou seja, estão focados em, por exemplo, deixar de ser obesos, fumadores, deixar o seu emprego ou em terminar a relação que têm. Na maior parte das vezes estas pessoas já tentam resolver estas questões há muito tempo mas nunca conseguiram fazê-lo definitivamente. Porquê?

A resposta tem a ver com a capa que decidiram usar e que é a capa vermelha. Optaram por acabar com o mal que existe nas suas vidas. O seu objetivo é eliminar o que as faz infeliz mas esquecem-se de um aspeto fundamental e crucial. Definir de que forma a resolução dessas situações as vão tornar em pessoas mais felizes.

Ou seja focar no que realmente querem ganhar ao perder peso, deixar de fumar, mudar de emprego ou terminar uma relação. Quando, durante as sessões de coaching, os interrogo sobre as razões, as respostas tardam em surgir porque nunca se questionaram de que forma se veem, sentem ou vivem na realidade que querem construir.

A capa que te faz atingir resultados

A capa verde é a escolha correta. Optar por fazer crescer o que de bom queremos nas nossas vidas é a resposta a muitos dos nossos anseios. Focar nos aspetos positivos faz crescê-los, reduzindo automaticamente a importância das áreas negativas que nos rodeiam.

Quem quer perder peso deve afirmar, escrever, sonhar, partilhar o que realmente quer, que poderá ser: “correr 10 minutos por dia sem me cansar, ter energia para brincar com os meus filhos, ter um aspeto fantástico, viver mais anos etc.”

Nós somos, fazemos e temos aquilo em que nos focamos diariamente. Antes de perder vinte quilos devemos pensar como uma pessoa com o peso ideal pensa, fazer o que ela faz e divertir-nos com isso. Devemos procurar trabalhar o que somos em primeiro lugar para que a mudança, quando acontecer, seja permanente e sustentável.

Reflita e pense sobre isto e se fizer sentido para si, a partir de hoje quando o génio chegar já saberá que capa escolher.

 

O marinheiro sem rota

Vasco deseja chegar às Índias. Apenas dispõe de uma jangada mal equipada, sem qualquer tipo de mecanismo de manobra ou impulsão. Afinal o mundo é redondo e é uma questão de tempo até as marés o conduzirem ao seu destino. Navega em alto mar há largos anos e já conheceu outras regiões e países.

Como vai lá parar, não sabe. Navega ao acaso sem rota nem planos. Está à deriva. Vai-se alimentando aqui e ali, sobrevivendo sem saber muito bem como. É uma vida passiva onde vive do que recebe e do que a fortuna lhe oferece. É esta a realidade que conhece. Gostaria que não fosse assim, mas quem é ele para controlar algo tão grande como os oceanos imensos.

Vai-se queixando da sua má sorte sempre que chega a um destino e descobre que não são as desejadas Índias. Lamenta-se de que a corrente o levou nessa direção ou de que o vento empurrou-o para fora do seu propósito. De quando em vez cruza-se com navios e veleiros que parecem decididos na sua navegação, cortando as ondas com determinação e dirigindo-se a um ponto específico. Brada aos céus pelo seu azar e por não ter sido um dos escolhidos para possuir uma dessas embarcações.

E lá vai o Vasco de queixume em queixume, apontando o dedo a tudo e a todos por ser um marinheiro errante. Na sua pequenez deixa-se levar, sendo atormentado por tempestades impiedosas que ameaçam destruir a sua pequena jangada, ou subjugado a um sol inclemente enquanto vagueia solitário por esse mundo fora. Já pensou em arranjar uns remos mas acha que não vão servir de nada. Comprar um motor está fora das suas possibilidades. Não sabe como fabricar uma vela e por isso nunca o fez. É mesmo azar.

E continua, saindo de mais um porto, empurrado num jeito incerto pelas marés, enquanto entoa um estranho canto lamuriento que culpa o universo pelo seu triste fado….

 

És um Homem ou és um “Vasco”?

Conheço muitos Vascos que navegam em pequenas jangadas. Vascos que se queixam da sua realidade. Vascos que acham que conseguir algo mais nas suas vidas é utopia. Vascos que apontam dedos e disparam responsabilidades para os outros.

Quando me encontro com um destes Vascos falo-lhe sobre a Teoria Causa-Efeito. Sobre a escolha que podem fazer para tomar o controlo das suas jangadas.

No fundo, há duas hipóteses de encarar a nossa realidade: “sou assim porque o universo/destino/Deus assim quis” ou “sou assim porque encarei situações no meu passado de determinada forma e tomei decisões”.

Na primeira situação estamos a colocar-nos em efeito. Dizemos que não controlamos o que nos rodeia e que não vale a pena lutar nem tentar mudar as coisas. Abdicamos do nosso poder pessoal e remetemo-nos a meros espetadores na nossa própria vida. Provavelmente temos sonhos que serão eternamente adiados, ou que aguardam que um acaso, uma sorte inesperada….o euromilhões, resolvam. O mais certo é que nunca os alcancemos.

Na segunda forma de proceder colocamo-nos em causa. Aqui, assumimos a responsabilidade. Afirmamos que podemos e devemos lutar para mudar a nossa realidade. Encaramos todos os eventos que nos surgem com um espírito criativo que nos permite avançar, mesmo que não seja exatamente como desejaríamos.

Temos consciência de que há situações que fogem do nosso controlo, como uma crise financeira, ou a morte de um parente próximo, mas a nossa atitude positiva permite-nos crescer com as adversidades e procurar a melhor situação dentro desse contexto. Alimentamos o nosso poder pessoal todos os dias e, por isso, somos mais fortes.

Já tivemos um Vasco que chegou às Índias no passado. Esse feito trouxe-nos glória e um orgulho que ainda hoje subsiste. Esse Vasco sabia o que fazia e estava preparado. Esse Vasco colocou-se em causa e venceu.

Pense na sua vida e diga para si que Vasco quer ser: o da jangada sem rumo ou o grande navegador e herói português.

 

De fora da gaiola!

Imagine uma gaiola apertada. O espaço escasso é ocupado quase na íntegra por meia dúzia de objetos fundamentais para a sobrevivência do seu ocupante. A vida nessa gaiola é rotineira. As atividades e a ocupação de tempo é sempre a mesma e nem podia ser de outra forma pois o curto espaço disponível e a limitação imposta pelo dono da gaiola é inexorável.

A criatividade é considerada desnecessária e a imaginação reprimida porque se alimenta a crença de que não têm aplicação prática. De dentro da gaiola é possível observar todo um mundo, com as suas possibilidades e opções infinitas onde a felicidade está realmente ao alcance daqueles que têm a sorte de nele viver.

 

A ilusão de conforto de quem vive na gaiola

Por breves instantes o ocupante imagina-se com toda essa liberdade e deseja que a porta da gaiola se abra, mas quase imediatamente é invadido por um fluxo negativo de medo que afoga todo e qualquer sonho de independência que possa ter. Medo do desconhecido, medo do que não controla, medo das opções, medo do desafio, medo de ter medo.

E é compreensível. Afinal o ocupante não conhece outra vida. Desde sempre que habita a gaiola e apesar de infeliz tem a sua segurança garantida. Além disso mesmo que quisesse sair a porta da gaiola não o permitiria.

Quem olha de fora sabe que abrir a porta da gaiola é simples e sente compaixão por aquele que a não abre e nem sequer tenta. Quem conhece as possibilidades de viver fora não percebe como é que o ocupante da gaiola escolhe a infelicidade da sua vida atual em detrimento da incerteza da vida no exterior.

Os que já abriram as portas das suas gaiolas e arriscaram viver em liberdade sabem que apesar das dificuldades que enfrentaram, o regresso ao cativeiro não é um opção que considerem.

É no cenário de clausura que a maior parte de nós vive. Apesar disso passamos a vida a olhar para os outros e muitas vezes invejamos a sua vida. Passamos o tempo a culpabilizar tudo e todos pela nossa existência. Arranjamos várias portas para a nossa gaiola e convencemo-nos que não é possível abri-las. Vivemos com medo e não arriscamos.

Provavelmente já alguém está a pensar que é mais fácil falar do que fazer. E tem razão. Mas falar, pensar, sonhar está ao nosso alcance e é o primeiro passo para avançarmos. A quebra das barras da nossa gaiola não tem de ser obrigatoriamente para atingir um objetivo grandioso e realmente difícil de alcançar. Esse sonho pode ser atingido mas se arrisca pouco comece devagar e com calma.

 

Arrisca. Desafia-te. Sai da Gaiola!

Nas sessões de Coaching trabalhamos muito o alargamento da zona de conforto. A auto-responsabilização é um passo importante para a resolução da maior parte dos conflitos que encontramos. Assumir os comandos da nossa vida é fundamental. Sugiro que experimente fazer algo esta semana que nunca teve coragem de fazer como sorrir a todas as pessoas com quem se cruzar na rua, ou convidar a tal pessoa para jantar, fazer a caminhada eternamente adiada, telefonar aquele parente com quem deixou de falar e até dizer ao seu companheiro/a o que sente por ele.

Se você pensa que a aventura é perigosa, eu sugiro que você experimente a rotina… É mortal.
Paulo Coelho

Enfim, tenho a certeza que sabe do que estou a falar. Pratique o hábito de se desafiar com mais frequência. Quando o fizer verá que a sua gaiola estará maior. Terá mais espaço. Sentir-se-á e respirará melhor. No fundo terá mais liberdade.

Muitas vezes a felicidade está na superação destes pequenos desafios. Quem não arrisca estagna e perde a alegria de viver.

Não deixe que tal lhe aconteça e, conselho de amigo, perante a infelicidade e a incerteza escolha sempre a incerteza.

Abra as portas da sua gaiola e seja feliz.

 

Pausa para a água!

Já passou uma hora e quarenta minutos. A melhor estimativa aponta para um tempo total de três horas e vinte minutos. Não é perfeito e há aspetos técnicos a melhorar. No entanto Mafalda está ali agora e é neste dia e nesta manhã que a distância tem de ser percorrida. O local é irrelevante, o público é invisível, a paisagem fica para quem veio passear. O que importa é o tempo, o recorde pessoal, a competição.

O calor aumenta e o sangue pulsa, vivo e quente. A respiração está controlada e a cadência de corrida é certa e firme. Tudo parece correr bem. Mais à frente há um posto de abastecimento de água, mas obriga a um pequeno desvio que a irá fazer perder preciosos segundos. Opta por dispensar, haverá outro mais adiante e o tempo é o objetivo último, custe o que custar.

Outros corredores abrandam, e recolhem as esponjas e os copos com água. Ao fazerem-no permitem que Mafalda ganhe uns metros de avanço e se isole. É perfeito! Sozinha tem mais hipóteses. A maratona prossegue e a distância à meta diminui. A pressa de chegar é muita e não há tempo para olhar para o lado. De repente outro corredor uns cem metros mais à frente tropeça e cai. Parece grave e Mafalda pondera o auxílio. Lembra-se porém do seu objetivo e condena a sua hesitação momentânea que a faz perder o ritmo. Ignora o acidente e esforça-se por recuperar o tempo perdido.

Um pouco mais adiante novo posto de reabastecimento que novamente ignora. Já perdeu tempo a mais. O cronómetro marca três horas e sete minutos. Falta pouco agora. Faz os restantes quilómetros com dificuldades crescentes. “Devia ter bebido água”, pensa. A meta está já à vista mas o coração começa a descompensar. A garganta está seca, o ar começa a faltar. Num instante os seus músculos desenvolvidos perdem potência e forçam a paragem. Mas Mafalda não quer vacilar. “Está quase, não posso deitar tudo a perder”.

De um momento para o outro, uma terrível dor aguda percorre todo o corpo e Mafalda sucumbe, caindo com violência no alcatrão quente. Ainda se apercebe do movimento ao seu redor e de gritos e choro. Porém gradualmente fecha os olhos e percebe que nunca mais dará outro passo. A vida para ela termina ali e é com este pensamento que dá o último suspiro e parte para sempre…

Muitos de nós vivem assim, com pressa!

No meio do turbilhão das nossas vidas, com os empregos, os filhos, as aulas, o trânsito, as dívidas e responsabilidades esquecemos muitas vezes de parar. Não ligamos às inúmeras oportunidades que a vida nos concede para parar e apreciar. Somos demasiado autocríticos e perdemos a virtude da gratidão.

É uma forma de estar infelizmente comum e que encontro muito nos meus clientes de Coaching. Todavia sei que é resolúvel e por isso trabalhamos durante as sessões para a ultrapassar. Acaba por ser simples mas tremendamente eficaz. Tornem-se gratos! Aproveitem todos os momentos para agradecer aquilo que têm. Mesmo nas circunstâncias mais difíceis há sempre algo que merece o nosso obrigado.

Pick the day. Enjoy it – to the hilt. The day as it comes. People as they come… The past, I think, has helped me appreciate the present – and I don’t want to spoil any of it by fretting about the future.
Audrey Hepburn

Reúnam as vossas famílias durante o jantar, desliguem a televisão e pratiquem o hábito de agradecer. Peçam a cada um que diga em voz alta cinco situações que ocorreram durante o dia pelas quais estão gratos. Façam-no com os vossos amigos, alunos, clientes e pacientes, empregados ou colegas ou façam-no sozinhos à noite antes de adormecer. Não se preocupem se sentirem dificuldades no início. É normal. Estamos treinados para dar valor ao negativo. Com a prática torna-se mais fácil e aquilo que temos a ganhar é imenso.

Parar é importante. Avaliar o nosso percurso de tempos a tempos permite-nos corrigir o rumo e sentir-nos gratos com o caminho já percorrido. Este é um dos segredos para uma vida bem vivida e seguramente mais feliz.

Não adiem e façam já uma pausa para a água!